Ênfase

O conceito de saúde é definido em 1946 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade”[1]. Apesar das críticas direcionadas a este conceito, como sendo utópico no sentido da impossibilidade de se obter um estado de bem-estar completo, ainda assim é preciso considerar que ele traz um avanço na forma de pensar o processo saúde-doença. Historicamente, no que se refere ao entendimento sobre os processos de saúde e de adoecimento, apenas eram consideradas questões físicas, orgânicas, segundo a perspectiva do modelo biomédico. A concepção da OMS amplia a forma de pensar essas questões no sentido em que abarca outros determinantes no processo saúde-doença, como os de ordem social, econômico, cultural, orgânico, emocional. Desta forma, essa definição acaba por incluir a Psicologia no âmbito da saúde trazendo novos desafios para a atuação nesse campo.

No que se refere ao Brasil, o desafio da Psicologia na área da saúde acontece também a partir da Reforma Sanitária. As conquistas desse movimento culminaram na Constituição de 1988, quando o artigo 196 coloca que a saúde é “direito de todos e dever do Estado”[2] . A partir disto, em 1990, é instituído o Sistema Único de Saúde (SUS), que exige novas teorias e práticas em saúde. Para os psicólogos isso significa ir além de uma clínica tradicional e ampliar a sua visão da realidade desenvolvendo capacidades de identificar e intervir nos múltiplos determinantes do processo saúde-doença. Isso implica na necessidade de produzir teorias que deem conta desta complexidade, assim como práticas que envolvam o trabalho interdisciplinar. O trabalho do psicólogo, além de abarcar o tratamento, deve também se voltar para a promoção da saúde e prevenção de doenças e/ou agravos. O objeto de estudo e intervenção da Psicologia historicamente é mais voltado para as questões de saúde mental. Mas na perspectiva da Psicologia da Saúde, o psicólogo também passa a se preocupar com aspectos emocionais/sofrimento psíquico em decorrência do adoecimento corporal ou que estão implicados em sua etiologia.

Neste sentido, a ênfase em Psicologia da Saúde propõe uma formação que contempla as premissas básicas do SUS. Essa ênfase proporciona para o futuro profissional da Psicologia a possibilidade de atuar em vários contextos da saúde. Isto é, o profissional poderá desenvolver atividades nos mais variados serviços da Rede de Atenção à Saúde (RAS), como por exemplo: Centros de atenção Psicossocial (CAPS), Hospitais, Unidades Básicas de Saúde (UBS), Estratégia Saúde da Família (ESF), entre outros. Além disso, o acadêmico que optar por essa ênfase poderá ainda desenvolver pesquisas no âmbito das práticas em saúde, o que irá enriquecer ainda mais o arcabouço teórico-técnico que embasa o trabalho dos psicólogos nessa área.

[1] ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO) – 1946. Disponível em: <http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/OMS-Organiza%C3%A7%C3%A3o-Mundial-da-Sa%C3%BAde/constituicao-da-organizacao-mundial-da-saude-omswho.html>. Acesso em: 19 set. 2018.

[2] BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 1988.

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